Boteco Móvel











Para aumentar o tamanho da fonte tecle ' Ctrl ' e ' + ' juntos






Acompanhe o Boteco Móvel por  email

Coloque o seu endereço de e-mail:

Delivered by FeedBurner







A maconha no mundo







Maconha


Vagarosamente, ao longo de toda a história conhecida, a maconha espalhou-se por todos os continentes. Da Ásia Central, seu ponto de origem, foi levada pelos conquistadores e mercadores mulçumanos para o Oriente Médio e, de lá, para a África. Na Era dos Descobrimentos, chegou à América. Venerada como planta sagrada, usada para produzir estados de espírito “iluminados”, por intelectuais e artistas desde o século 18, fumada por escravos, celebradas por piratas e, finalmente, amaldiçoada como erva do diabo, a maconha, hoje, é a droga ilícita mais consumida no mundo. No Ocidente e na maioria dos países asiáticos, a maconha é proibida. No entanto, no universo hindu e islâmico, regiões onde a planta foi usada como parte de ritos religiosos, é permitida.

Na verdade, a maconha possui grande influência sobre a cultura hindu. De acordo com essa tradição, a planta foi um presente dos deuses aos homens, capaz de provê-los de prazer, coragem e de estimular seus desejos sexuais. A maconha teria brotado pela primeira vez quando gotas do néctar dos deuses se derramaram sobre a terra. Em diversos Estados indianos, no Nepal e em Bangladesh, as preparações à base de maconha ocupam lugar central no contexto religioso. O próprio Shiva (uma das principais divindades hindus, promotor da destruição que antecede a reconstrução) dedica grande parte de seu tempo ao preparo e ao consumo de produtos à base de maconha. Entre os Sadhus, homens santos do hinduísmo que dedicam a sua vida a Shiva, o consumo de maconha faz parte dos rituais. No Kimalaia indiano e no interior do Nepal, a maconha é uma das plantas cultivas por camponeses em hortas no quintal.

Uma das preparações que os hindus fazem com a planta é o bhang obtido através da maceração de brotos maconha, convertidos em suco. Outra preparação usada pelos hindus, a ganja, consiste em brotos compactados por vários dias e fumados com tabaco. O charas é a resina, conhecida no Ocidente como haxixe. Para os praticantes de hinduísmo essas preparações da maconha são permitidas e disponíveis em lojas de artigos religiosos. No entanto para os não indianos, por exemplo, turistas ocidentais interessados no uso recreativo – ou seja, uso não religioso-, não só a maconha é proibida como sua posse, nessas circunstâncias, implica em prisão.

No mundo islâmico, onde o consumo de álcool é proibido pela religião, o haxixe também tem grande penetração e impacto cultural. Nesses casos, o uso do haxixe é recreativo. O Marrocos é um exemplo da importância da maconha no islamismo. Hoje o país é o maior produtor e exportador mundial da erva e de haxixe, responsável, em 2005, por colocar 1.070 toneladas dessa droga no mercado.

Âmbito Global

Em 1º de março de 2007, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Prevenção ao Crime, sediado em Viena, divulgou um relatório sobre a estimativa de consumidores de maconha e derivados. De acordo com a ONU, em todo o planeta 162 milhões de pessoas, entre 15 e 64 anos, seriam usuárias de maconhas: ou seja, 4% da população mundial. Apesar do número significado de usuários, a legislação internacional ainda é religiosa em relação à legalização do uso e da venda da planta. As políticas mais repressivas em relação às drogas estão na China, em Cingapura, Japão, Coréia, Taiwan e Cuba. Na Tailândia e na Nigéria, a pena de morte é prevista para os traficantes. Estranhamente, o rigor da lei nigeriana não elimina esse tipo de criminoso. “O maior número de traficantes estrangeiros no Brasil é constituído por nigerianos”, relata o desembargador José Damião Pinheiro Machado Cogan, professor do curso de pós-graduação da faculdade de Direito da PUC-SP.

Na Europa, países como Suécia e Finlândia, por exemplo, têm uma política mais restritiva do que a americana, baseada no consenso geral de que a sociedade recusa, o consumo de drogas. Essa postura, porém, não é, nem de perto, tão repressiva como a dos países asiáticos. Apenas Holanda, Suíça e Austrália têm uma política favorável. Outros países europeus, como Portugal e Espanha, ensaiam uma política liberal. Mas França, Inglaterra, Itália e Alemanha, bem como vários países sul-americanos (como Argentina, Peru, Chile e Brasil) ainda têm políticas sobre a maconha atreladas às dos Estados Unidos.

No final dos anos 70, a Holanda decidiu parar de prender usuários de maconha desde que eles a comprassem em lugares autorizados. Em 1984, a droga acabou sendo legalizada. Desde então, enquanto o consumo aumentou cerca de 8% em alguns países europeus que reprimem a maconha, o índice de usuários subiu apenas 4%. Outro aspecto que mantém a maconha liberada na Holanda há tanto tempo – 25 anos – é que desde a legalização o número de jovens dependentes de heroína diminuiu. Sociólogos estimam que, ao tirar a maconha das mãos dos traficantes, os holandeses separaram essa droga das mais pesadas e, assim, dificultaram o acesso a elas. De acordo com o desembargador Cogan, “na Holanda a maconha foi liberada para eliminar a figura do traficante”.

No entanto, mesmo na Holanda, o país mais liberal do mundo em relação à maconha, só é possível comprar pequenas quantidades para consumo pessoal e apenas em endereços autorizados. Ninguém pode produzir ou vender a planta em larga escala. Legislações parecidas quanto à posse e ao consumo particulares, embora proibindo a venda pública, também estão em vigor na cidade americana de Denver, Colorado, e no Estado do Alasca, além de dois Estados Australianos.



Fonte : Evander Gomes



Nenhum comentário:




Em Fevereiro de 2011 este site passou por uma reconstrução. Por este motivo muitos posts têm links internos quebrados. Eles serão consertados aos poucos.



Parceiros

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...